sexta-feira, 15 de abril de 2011

O duelo entre Noel Rosa e Wilson Batista

     


Foi um combate musical que teve inicio em 1933, quando o compositor Wilson Batista lançou o samba “Lenço no Pescoço”, no qual proclamava seu orgulho em ser vadio e associava a imagem do sambista a malandragem.


     O compositor Noel Rosa sentiu-se incomodado com a associação e mandou logo uma resposta bem direta, compondo “Rapaz Folgado”.


     Wilson Batista sentiu-se ofendido pelo golpe inesperado e reagiu com o samba “Mocinho da Vila”:
“Se não quiser perder o nome
Cuide de seu microfone
E deixe quem é malandro em paz...”

     A elegante resposta de Noel Rosa veio com o “Feitiço da Vila”, parceria com o pianista Vadico.
"Lá, em Vila Isabel,
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba.
São Paulo dá café,
Minas dá leite,
E a Vila Isabel dá samba."

Wilson Batista volta ao ataque com “Conversa Fiada”.

"É conversa fiada dizerem que o samba na Vila tem feitiço
Eu fui ver para crer e não vi nada disso
A Vila é tranqüila porém eu vos digo: cuidado!
Antes de irem dormir dêm duas voltas no cadeado"

     Mas mexer com a querida Vila Isabel de Noel Rosa foi o erro fatal, pois isso acabou sendo responsável pela composição de uma de uma das maiores obras primas do nosso samba, “Palpite Infeliz”.
"Quem é você que não sabe o que diz?
Meu Deus do Céu, que palpite infeliz!
Salve Estácio, Salgueiro, Mangueira,
Oswaldo Cruz e Matriz
Que sempre souberam muito bem
Que a Vila Não quer abafar ninguém,
Só quer mostrar que faz samba também"

     Wilson Batista compõe “Frankenstein da Vila”,mas, apesar da violência da resposta, confessou-se arrependido por ter se aproveitado da feiura de Noel Rosa (trata-se de uma má formação no maxilar devido ao parto).

     A disputa ainda rendeu algumas algumas réplicas como “João ninguém” de Noel Rosa e “Terra de cego” de Wilson Batista, mas o duelo já dava mostras de não possuir mais a mesma intensidade de antes. Os dois compositores já estavam virando amigos.

     Pouco tempo depois, em 1937, morreu o jovem Noel Rosa, aos 26 anos, mas não sem antes compor junto com o amigo rival. Com certeza, quem mais saiu ganhando nesse duelo foi a Musica Popular Brasileira.



quarta-feira, 13 de abril de 2011

O primeiro samba a ser gravado


O samba “Pelo telefone”(de Donga e Mauro de Almeida), estrou para a história da Musica Popular Brasileira como o primeiro a ser gravado em 1917.

No entanto, a canção sua tem autoria discutida, pois vários compositores reivindicaram sua autoria. Um deles foi José Barbosa da Silva, ou Sinhô, compositor intitulado como “o rei do samba”, que não perdia nenhuma roda de samba na casa da baiana Tia Ciata, onde encontrava os também sambistas Germano Lopes da Silva, João da Mata, Hilário Jovino Ferreira e Donga. Sinhô ficou surpreso quando Donga, em 1917, registrou como sendo dele o samba carnavalesco.

Sinhô compôs, em 1918, o samba “Quem são eles” numa clara provocação aos parceiros de “Pelo Telefone”, mas acabou levando o troco, foram compostas “Fica Calmo que Aparece”, de Donga, “Não és tão falado assim” de Hilário Jovino Ferreira, “Já Te Gigo” de Pixinguinha e seu irmão China, que traçarem um perfil nada elegante: (“ Ele é alto e feio/ e desdentado/ ele fala do mundo inteiro/ e já está avacalhado...”). Sinhô pagou a ambos com a marchinha “O pé de Anjo”.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Origem do Samba



      O samba surgiu da mistura de gêneros musicais como a modinha, o chorinho e danças como o lundu, a umbigada, que chegaram ao Brasil, quando ainda era colonia, trazidas pelos escravos africanos. Segundo alguns, palavra “samba” seria um verbo conguês (língua ancestral originária do Congo) da 2ª conjugação, que significa adorar, invocar, implorar, queixar-se, rezar. Mas há também a hipótese de ter origem na palavra “Semba”, que no idioma Bantu, significaria “umbigo”, de onde teria vindo a dança da umbigada.

      Diz-se que o samba teria se originado na Bahia, mas na segunda metade do século XIX negros baianos migraram para o Rio de Janeiro, que na época era a capital do império. Dessa forma o samba entrou em contato e incorporou outros gêneros musicais urbanos como a polca, o maxixe, o xote, entre outros e se tornou um gênero musical dançado ao som de violão e cavaquinha em rodas de samba nas casas das “tias baianas”.

      No início do século XX, segundo o folclore da época, para que um samba alcançasse sucesso, ele teria que passar pela casa da Tia Ciata e ser aprovado nas rodas de samba das festas que chegavam durar dias. Muito sambas foram criados e cantados em improvisos como é o caso do samba “Pelo telefone”, o qual foi o primeiro a ser gravado na história da musica popular brasileira.






segunda-feira, 4 de abril de 2011

Curso: História, cultura e poesia através das letras da Música Popular Brasileira

Coordenador: Prof. Dr. Sérgio Roberto Massagli
Alunos bolsistas e voluntários: Ivan Lucas, Eline e Suane.
Carga Horária: 32 horas
Período de realização das oficinas: 16/04, 11/06, 17/09 e 05/11
Público alvo: estudantes do ensino médio, estudantes de graduação e a comunidade em geral.

O curso

Partindo da idéia de que a música e a poesia foram inseparáveis desde a Antiguidade, pretende-se utilizar essa proximidade para fazer notar que a união entre música e poesia, também no ensino de literatura, pode ser extremamente frutífera. Desde o momento em que a letra deixou de ser mero coadjuvante em relação à melodia (o que se deu com maior ênfase a partir da década de 60), a música popular brasileira não é mais um fenômeno apenas sonoro, mas também um produto com dimensões da escrita poética e da cultura em geral. Este curso pretende apresentar aos alunos um panorama das tendências da música popular brasileira, a partir das linhas gerais da formação do samba no Brasil, passando pelo salto de qualidade representado pela Bossa Nova, para em seguida focalizar, no período dos anos 60, as canções de protesto e a crítica política e social. O objetivo principal é promover o interesse por temas da cultura brasileira, através da leitura crítica das letras da Música Popular Brasileira.

Objetivos
  1. Conhecer algumas das principais tendências da música popular brasileira neste século, enfatizando as alternativas desenhadas nos anos da ditadura militar (1964-1984);
  2. Estudar questões permanentes e relevantes da história brasileira a partir do código musical;
  3. Orientar os alunos no campo da análise e interpretação das músicas como documentos para a história da cultura;
  4. Aprimorar, através do jogo de sons e do jogo de palavra, a habilidade da leitura crítica;
  5. Promover o interesse por temas da cultura brasileira.

Conteúdo programático

  1. Apresentação do programa do curso; panorama das tendências atuais da música popular brasileira; reconhecimento da diversidade de sons; linhas gerais da formação do samba no Brasil; o samba negro que vem dos morros do Rio de Janeiro em fins da República Velha; os conteúdos nacionalistas do samba em tempos do Estado Novo (1937-1945); as variações do samba brasileiro: samba-canção, samba-breque, samba-enredo, etc.;
  2. A Bossa Nova: nas fronteiras entre o erudito e o popular ou “uma saída para o samba que havia parado, era quadrado e só falava em barracão”; “50 anos em 5”: Juscelino Kubitschek e a industrialização da economia brasileira; os limites da modernidade populista;
  3. Cultura e Política nos anos 60; a formação dos Centros Populares de Cultura (CPC) da União Nacional dos Estudantes (UNE) e a defesa de uma cultura popular, democrática e nacionalista visando “conscientizar” as camadas populares; Músicas de “Protesto”: temática rural e urbana; O golpe militar de 1964 e os desdobramentos da ditadura militar, enfocando a questão da censura à produção artística, sobretudo após o AI5 (1968);
  4. Jovem Guarda: alienação individualista?; indústria cultural e sociedade de consumo; a Tropicália: retomada da proposta de antropofagia cultural do modernismo?; o “lugar das idéias” e a formação de uma identidade nacional.
  5. Aspectos da produção musical de Chico Buarque: do lirismo ao protesto e à crítica política e social; uma reflexão sobre a MPB.
Bibliografia básica
CAMPOS, Augusto de. Balanço da bossa e outras bossas. 3ª Ed. São Paulo, Perspectiva, 1978.
CONTIER, Arnaldo Daraya. Edu Lobo e Carlos Lyra: O Nacional e o Popular na Canção de Protesto (Os Anos 60). Rev. bras. Hist.,  São Paulo,  v. 18,  n. 35,   1998 .   Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01881998000100002&lng=en&nrm=iso>. Accesso em  26  Jan.  2011.
FAVARETTO, Celso. Tropicália: Alegoria Alegria. São Paulo, Kairós, 1979.
GALVÃO, Walnice Nogueira. Saco de gatos. São Paulo, Duas Cidades, 1976.
HOLANDA, Heloísa Buarque de. Impressões de viagem: CPC, vanguarda e desbunde 60/70. São Paulo, Brasiliense, 1980.
MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Carnaval, carnavais. São Paulo, Ática, 1986.
MELLO, José Eduardo Homem de. Música Popular Brasileira. São Paulo, Edusp, 1976.
RODRIGUES, Ana Maria. Samba negro, espoliação branca. São Paulo, Hucitec, 1984.


Arte do blog: Patrícia dos Santos (Arte antiga). Ivan Lucas Faust (Arte atual)