sábado, 26 de maio de 2012

O Samba de Partido Alto

      De acordo com a Enciclopédia da Música Brasileira, "samba de partido-alto é um gênero do samba surgido no início do século XX conciliando formas antigas (o partido-alto baiano, por exemplo) e modernas do samba-sança-batuque, desde os versos improvisados à tendência de estruturação em forma fixa de canção, e que era cultivado inicialmente apenas por velhos conhecedores dos segredos do samba-dança mais antigo, o que explica o próprio nome do partido-alto (equivalente da expressão moderna "alto-gabarito"). Inicialmente caracterizado por longas estrofes ou estâncias de seis e mais versos, apoiados em refrões curtos, o samba de partido-alto ressurge a partir da década de 1940, cultivado pelos moradores dos morros cariocas, mas já agora não incluindo necessariamente a roda de dança e reduzido à improvisação individual, pelos participantes, de quadras cantadas a intervalos de estribilhos geralmente conhecido de todos".[3] 




      O partido-alto na década de 1970 sofreria outras modificações até servir de combustível para o movimento conhecido por pagode de raiz. Antes, pagode era o nome dado no Brasil, pelo menos desde o século XIX, a habituais reuniões festivas, regadas a música, comida e bebida. E nos pagodes, a música tocada era o samba, especialmente a vertente partido-alto. O estilo de partido-alto com versos realmente improvisados vem caindo em desuso, não só pela diminuição de rodas de samba, como pela facilidade de repetir versos pré-elaborados, gravados e difundidos via álbuns, rádio, televisão, entre outros. Não obstante, a tradição se mantém com alguns sambistas absorvidos pela indústria fonográfica, como Zeca Pagodinho, Dudu Nobre e Arlindo Cruz, entre outros. 
      A arte dos versadores de partido-alto foi registrada em alguns trabalhos. O mais famoso deles é o documentário "Partido-Alto", de Leon Hirszman. Este filme foi gravado em 1976 e ancorado no sambista Candeia.





[3] MARCONDES, Marcos Antônio. Enciclopédia da música brasileira - erudita, folclórica e popular. 1. ed. São Paulo: Arte Editora/Itaú Cultural, 1977

terça-feira, 22 de maio de 2012

O Lundu: uma representação do ato sexual no movimento

      O lundu, ou lundum, é um gênero musical contemporâneo e uma dança brasileira de natureza híbrida, criada a partir dos batuques dos escravos bantos trazidos ao Brasil de Angola e de ritmos portugueses. Da África, o lundu herdou a base rítmica, uma certa malemolência e seu aspecto lascivo, evidenciado pela umbigada, os rebolados e outros gestos que imitam o ato sexual. Da Europa, o lundu, que é considerado por muitos o primeiro ritmo afro-brasileiro, aproveitou características de danças ibéricas, como o estalar dos dedos, e a melodia e a harmonia, além do acompanhamento instrumental do bandolim.
      O lundu veio para o Brasil com os negros de Angola, por duas vias, passando por Portugal, ou diretamente da Angola para o Brasil. Em Portugal recebeu polimentos da corte, como o uso dos instrumentos de corda, mas fora proibida por D. Manuel ao ser “contrária aos bons costumes”. Já a vinda direta da Angola para o Brasil recuperou o acento jocoso, mordaz e sensual que incomodara a sociedade lisbonense.



      Aparece no Brasil no século XVIII como uma dança sem cantoria e de "natureza licenciosa", para os padrões da época. Nos finais do século XVIII, presente tanto no Brasil como em Portugal, o lundu evolui como uma forma de canção urbana, acompanhada de versos, na maior parte das vezes de cunho humorístico e lascivo, tornando-se uma popular dança de salão.
Durante todo o século XIX, o lundu é uma forma musical dominante, e o primeiro ritmo africano a ser aceito pelos brancos. Neste período, surgem os mais importantes compositores que representam esta forma musical e a viola é adotada entre os instrumentos de corda utilizados.

      O lundu sai de evidência no início do século XX, mas deixa seu legado, principalmente no que tange ao ritmo sincopado, no maxixe (outro forma musical híbrida urbana que também deve suas origens à polca e à habanera). Musicólogos defendem que no lundu, como o primeiro ritmo afro-brasileiro em formato de canção e fruto de um sincretismo, está a origem do samba, via o maxixe, mas há controvérsias quanto a esse ponto. Uma modalidade do lundu, a dança de roda, ainda é praticada na Ilha de Marajó e nos arredores de Belém, no estado do Pará, recentemente grupos culturais do entorno do DF (região limítrofe do DF e de Goiás) reiniciaram essa prática.



      O lundu na suas origens tinha sistemática simples, a qual ainda podemos observar na dança de roda, sua familiaridade (músicos iniciam o ritmo Lundu, as pessoas que querem dançar aproximam-se, já entrando na dança, um sinal da viola é emitido e a primeira dançadora abre espaço no centro da roda que logo se forma com o grupo); Forma-se a roda e ela fica no centro dançando até convidar alguém para substituí-la (o convite pode ser uma batida de pé diante da pessoa, palmas diante da pessoa, uma umbigada ou um toque de ombros à esquerda e em seguida outro à direita); A dançadora convidada vai para o centro dançar (dança no centro até escolher quem vai substituí-la, pode ser uma mulher ou um homem e as substituições continuam por várias vezes).



      Quando está no meio da roda, o dançador faz evoluções inteiramente relaxado, braços caídos ao longo do corpo, pernas meio fletidas, mantendo um sapateio em que a planta do pé bate inteiramente no chão, ao ritmo da música. A predominância dos dançadores é de mulheres. Homens em geral ficam apenas olhando ao redor, mas ao serem convidados vão para o centro dançar. Se ao sair convidam uma dançadora com umbigada, faz-se grande algazarra no grupo. Não se registra umbigada de homem em homem, mas entre mulheres há umbigada indistintamente em outra mulher ou em homem. Em várias documentações consultada há referência de proibição da umbigada entre parentes próximos – pai e filha, padrinho e afilhada – Pode-se concluir que há aí uma representação do ato sexual no movimento.





Maxixe: o “Tango Brasileiro”


      O Maxixe (também conhecido como Tango brasileiro) é um tipo de dança de salão brasileira criada pelos negros que esteve em moda entre o fim do século XIX e o início do século XX. Dançava-se acompanhada da forma musical do mesmo nome, contemporânea da polca e dos princípios do choro e que contou com compositores como Ernesto Nazareth e Patápio Silva. Mas o maior nome na composição de maxixes foi, sem dúvida, o da maestrina Chiquinha Gonzaga.
      Teve a sua origem no Rio de Janeiro na década de 1870, mais ou menos quando o tango também dava os seus primeiros passos na Argentina e no Uruguai, do qual sofreria algumas influências. Dançada a um ritmo rápido de 2/4, notam-se também influências do lundu, das polcas e das habaneras.
     O ritmo, segundo hipótese levantada por alguns estudiosos, foi influenciado pela música trazida por escravos de Moçambique, daí advindo seu nome, que é o nome de uma cidade moçambicana. Ainda hoje, o padrão rítmico da Marrabenta (música moçambicana) guarda semelhanças com os padrões rítmicos do maxixe.



      Hoje, o gênero musical chamado maxixe ou tango brasileiro é considerado um subgênero do choro. Porém, no fim do século XIX e começo do XX, a palavra "choro" designava não um gênero, mas certos conjuntos musicais (compostos de flauta, cavaquinho e violôes) que animavam festas (forrobodós) tocando polcas, lundus, habaneras e mazurcas e outros gêneros estrangeiros de uma maneira sincopada (que acabou sendo nomeado como gênero, o "choro"). O tango Brasileiro foi criado pelos chorões como uma variante altamente sincopada da habanera, gênero cubano que também era chamado tango-habanera (o primeiro uso da palavra "tango" é datado de 1923, em Havana), e que na sua variante brasileira passou a ser chamado tango brasileiro. Na sua forma de música de dança passou a ser chamado de maxixe, que era alvo de fortes preconceitos das elites da época, porque consideravam-no indecente, chegando mesmo a proibi-lo. Dava-se o nome de "Tango Brasileiro" para se esconder a relação com o maxixe dessas composições. Alguns relatos afirmam também uma diferença com relação a harmonia, sendo a do Tango Brasileiro (como os de Ernesto Nazareth) um pouco mais complexa do que de seu "irmão", o Maxixe.
      Na atualidade, o maxixe, enquanto dança, ainda existe nos passos do samba de gafieira, cuja música (que é um tipo de samba extremamente sincopado, por exemplo, o samba de breque e o samba-choro) também preserva muitas estruturas rítmicas do maxixe. Tal como o tango argentino, este estilo foi também exportado para a Europa e Estados Unidos da América, no início do século XX. O samba e a lambada são dois exemplos de danças que devem algumas contribuições de estilo ao Maxixe.





Jongo, o “avô do samba”



      Jongo é uma manifestação cultural de africanos essencialmente rural diretamente associada à cultura africana no Brasil e que influiu poderosamente na formação do samba carioca, em especial, e da cultura popular brasileira como um todo. Segundo os jongueiros, o jongo é o "avô" do samba.
      Inserindo-se no âmbito das chamadas 'danças de umbigada' (sendo portanto aparentada com o 'Semba' ou 'Masemba' de Angola), o Jongo foi trazido para o Brasil por negros bantu, sequestrados para serem vendidos como escravos nos antigos reinos de Ndongo e do Kongo, região compreendida hoje por boa parte do território da República de Angola.
      Composto por música e dança características (jongoo), animadas por poetas que se desafiam por meio da improvisação, ali, no momento, com cantigas ou pontos enigmáticos, o Jongo tem, provavelmente, como uma de suas origens (pelo menos no que diz respeito à estrutura dos pontos cantados) o tradicional jogo de adivinhas angolano, denominado Jinongonongo.
      Apesar de ser uma expressão da religião, mantém como um traço essencial de sua linguagem a presença de símbolos que possuem função supostamente mágica ou sagrada, provocando, segundo se acredita, fenômenos mágicos. Desse modo, o fogo serve para afinar os instrumentos e também para iluminar as almas dos antepassados; os tambores são consagrados e considerados como ancestrais da própria comunidade; a dança em círculos com um casal ao centro remete à fertilidade; sem esquecer, é claro, as ricas metáforas utilizadas pelos jongueiros para compor seus "pontos" e cujo sentido permanece inacessível para os não-jongueiros.
      Dançado e cantado outrora com o acompanhamento de urucungo (arco musical bantu, que originou o atual berimbau), viola e pandeiro, além de três tambores consagrados, utilizados até os nossos dias, chamados de Tambu ou 'Caxambu', o maior - que dá nome a manifestação em algumas regiões - 'Candongueiro', o menor e o tambor de fricção 'Ngoma-puíta' (uma espécie de cuíca muito grande), o Jongo é ainda hoje bastante praticado em diversas cidades de sua região original: o Vale do Paraíba na Região Sudeste do Brasil, ao sul do estado do Rio de Janeiro e ao norte do estado de São Paulo e Região das Minas e das fazendas de Café em Minas Gerais, onde também é chamado "Caxambu".



quinta-feira, 17 de maio de 2012

Diálogos interdisciplinares através das letras da música popular brasileira





1ª. Oficina na Universidade: dia 19/05/2012

Horário: das 8:30h às 12:00h

Inscrições: sergio.massagli@uffs.edu.br  informando os seguintes dados: RG, CPF, Número de telefone, endereço de e-mail e nome completo.

As inscrições também podem ser feitas na hora.

Temas da Primeira Oficina: 

- Do morro ao asfalto, da periferia ao centro: o trajeto do Samba.

- Brasil, meu Brasil brasileiro: ufanismo e exaltação na Era Vargas.

- Ari Barroso e Carmem Miranda: samba made in Brazil.





quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Marcha contra a guitarra - Tropicalismo


No final dos anos sessenta, havia uma divergência em relação à influência estrangeira. Para a ala mais conservadora, o instrumento representava a invasão da cultura pop estrangeira. Para outros, era uma necessidade de incorporar novas tendências musicais. Alguns como Caetano Veloso e Gilberto Gil o fizeram de maneira crítica, ou de maneira antropofágica, como propunha Oswald de Andrade, isto é, devorando o elemento estrangeiro e produzindo uma música brasileira para exportação. "Ao trazerem as guitarras, Gil e Caetano rompem com a MPB tradicional", conta Renato Terra. Para ele, é quando surge a semente do Tropicalismo. A indisposição à guitarra chegou a provocar uma marcha de protesto contra o instrumento, surpreendentemente acompanhada, inclusive, por Gilberto Gil. "Hoje, reconheço que foi ridículo", admite Sérgio Cabral, que participou do manifesto. Há também histórias pouco conhecidas, como a "amarelada" de Gil, pouco antes da grande final. "Estava agoniado, não queria competir, não é da minha natureza", explica. O músico foi resgatado no hotel duas horas antes do início do programa.



Uma Noite em 67 faz um merecido resgate do ápice de uma época, entre 1965 e 1972, que ficou conhecida como a Era dos Festivais, organizados pelas TVs Record, Excelsior, Globo e TV Rio em forma de programas de auditório. Um recorte rápido e limitado, mas a iniciativa é louvável, sobretudo em um País tão carente de memória acerca de sua história cultural. A tal passeata contra a guitarra elétrica se revela hoje um movimento infantil, bobalhão, como sugerem Caetano e o próprio Gil no documentário. Até mesmo “idiota”, como diz o jornalista Sérgio Cabral, jurado no Festival da Record de 1967. Resgatar essa história, no entanto, revela muita coisa sobre a música brasileira.


O iê-iê-iê



O programa Jovem Guarda estreou em 1965, apresentado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa. O programa de tevê acabou gerando o movimento com o mesmo nome, onde os jovens tiveram pela primeira vez um espaço, permitindo-lhes uma identidade própria, pois foi a primeira vez que se era dedicada aos adolescentes uma parte do cenário cultural.



Além dos discos e dos programas de televisão, Roberto, Erasmo e Wanderléa atuaram em filmes de aventura como Roberto Carlos em ritmo de aventura e O diamante cor-de-rosa, que popularizavam ainda mais esses novos ídolos com suas roupas extravagantes e as suas músicas, que invariavelmente tratavam de temas lírico-amorosos e eram fortemente influenciadas por grupos estrangeiros como os Beatles.




A canção de protesto

Uma das formas de reação à americanização da música popular brasileira foi a canção de protesto, nascida da crise política decorrente da renúncia de Jânio Quadro e do desgoverno de João Goulart. A elevadíssima inflação desse período agravou os desequilíbrios de nossa sociedade e criou ambiente para que agitadores do todo o gênero buscassem a derrubada do sistema democrático brasileiro.

Depois de depor o presidente João Goulart, "convencer" o Congresso a eleger o general Castelo Branco, aumentar o poder do executivo e desmantelar os possíveis focos de resistência ao golpe - como movimentos estudantis e partidos políticos identificados como o comunismo - o governo militar resolve atacar no front econômico.

A música política representou muitas das ideias que reuniram os estudantes universitários nas manifestações, buscando ser um instrumento de resistência ao regime autoritário. Como um dos veículos de propaganda mais eficazes é a música, sobretudo quando ela se divulga pelo rádio e televisão.





Anos Sessenta - Os Festivais




Os festivais inicialmente surgiram através da cobertura da extinta TV Excelsior paulista. Os grandes festivais tiveram prosseguimento com a produção da TV Record em seu período de auge de audiência. Mas a TV Record, após incêndios danosos em suas instalações, não puderam prosseguir com produções do mesmo nível, gerando inclusive sinais de grande crise nos festivais, que foram, nas suas últimas versões, produzidos pela antiga TV Rio. De 1966 a 1972 aconteceu no Rio de Janeiro o Festival Internacional da Canção (FIC) que aconteciam em duas fases: a nacional e a internacional cujo vencedor levava o Galo de Ouro.



Milagre Brasileiro


Na área econômica o país crescia rapidamente no período que vai de 1969 a 1973. O PIB brasileiro crescia a uma taxa de quase 12% ao ano, enquanto a inflação beirava os 18%.

Com investimentos internos e empréstimos do exterior, o país avançou e estruturou uma base de infraestrutura. Todos estes investimentos geraram milhões de empregos pelo país. Algumas obras, consideradas faraônicas, foram executadas, como a Rodovia Transamazônica e a Ponte Rio-Niteroi.



Porém, todo esse crescimento teve um custo altíssimo e a conta deveria ser paga no futuro. Os empréstimos estrangeiros geraram uma dívida externa elevada para os padrões econômicos do Brasil.


Os anos de chumbo





Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como "anos de chumbo". 

A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar.






O Ato Institucional número 5




O período militar começou com emissão dos atos institucionais, os quais decretavam novas leis que concediam poderes importantes aos presidentes. O Ato Institucional número 5 foi o quinto decreto emitido pelo governo militar brasileiro e é considerado o mais duro golpe na democracia, porque deu poderes quase absolutos ao regime militar. Determinações mais importantes do AI 5:

- Concedia poder ao Presidente da República para dar recesso a Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas (estaduais) e Câmara de vereadores (Municipais);

- Concedia poder ao Presidente da República para intervir nos estados e municípios, sem respeitar as limitações constitucionais;

- Concedia poder ao Presidente da República para suspender os direitos políticos, pelo período de 10 anos, de qualquer cidadão brasileiro;

- Concedia poder ao Presidente da República para dar recesso a Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas (estaduais) e Câmara de vereadores (Municipais);

- Concedia poder ao Presidente da República para intervir nos estados e municípios, sem respeitar as limitações constitucionais;

- Concedia poder ao Presidente da República para suspender os direitos políticos, pelo período de 10 anos, de qualquer cidadão brasileiro;




DITADURA MILITAR (1964 a 1985) - Golpe de 64


A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais, compostas por estudantes, organizações populares e trabalhadores, que ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média (aquela se formou no período dos Anos Dourados). Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.

Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista. No dia 13 de março, João Goulart realizou um grande comício no Rio de Janeiro, onde defendeu as Reformas de Base prometendo mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.

No mesmo mês, de um lado, manifestações de apoio popular e comícios a favor das reformas levaram milhares às ruas para expressar apoio ao presidente. De outro lado, os conservadores organizaram uma manifestação contra as intenções de João Goulart, foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo o que evidenciou a articulação deste grupo aliado aos militares para afastar Jango do poder.

Os militares chamaram o golpe de revolução e o justificou afirmando que Goulart estava transformando o Brasil em um país comunista, principalmente porque ele prometia implantar um conjunto de mudanças que incluía a reforma agrária.

Depois de entregar um manifesto exigindo a renúncia de Goulart, as tropas militares ocuparam partidos políticos, sindicatos e quem mais apoiasse as reformas. A sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) foi incendiada. Sem poder de reação, o presidente se refugiou em Porto Alegre, sua terra natal, onde ficou até o dia 2 de abril. Ele então se exilou no Uruguai.

Os presidentes do período Militar foram: Castello Branco (1964 – 1967); Costa e Silva (1967 – 1969); Emílio Médici (1969-1974); Ernesto Geisel (1974 – 1979); João Figueiredo (1979 – 1985).

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bossa Nova



     Com todo o desenvolvimento do Brasil nesse período dos Anos Dourados, surge na sociedade brasileira uma nova classe social econômica, uma classe média alta com maior poder aquisitivo, morando em prédios de apartamentos em bairros como Ipanema e Copacabana e com filhos na universidade..


     Esta nova classe social buscará criar um novo tipo de música, mais sofisticada que os boleros e samba-canções que dominaram o cenário até então. Esse novo gênero foi denominado de Bossa Nova com o objetivo de se diferenciar daquele samba mais tradicional, caracterizado por ser um gênero puramente nacional, o qual não tinha influências culturais estrangeiras.
     O propósito desta nova raiz do samba, segundo Naves (2000), era de “defender uma postura internacionalista e moderna na música popular, em contraposição aos ideólogos do 'nacional-popular'”.



     Os autores da Bossa “são unânimes em atribuir a João Gilberto uma postura que valoriza a contenção, contrária ao emocionalismo excessivo da música popular das décadas de 40 e 50” além de trazer para a MPB “manifestações estéticas dos anos 50, como a poesia concreta e a arquitetura de Oscar Niemeyer”.



     A Bossa Nova se apropria de técnicas do cool Jazz americano e da música clássica, num gesto de devoração antropofágica, como propunha Oswald de Andrade, tendo como resultado um estilo que mescla o elemento estrangeiro com a tradição da música popular brasileira e produz uma música para exportação.
     Outra característica peculiar da Bossa é a maneira de cantar baixinho, com clareza e calma, a razão disto é pelo fato de que a juventude bossa novista morava em apartamentos no Rio de Janeiro, onde não se podia cantar muito alto e, além do mais, cantar em um tom menor e mais coloquial se contrapunha ao estilo operístico e grandiloquente dos grandes intérpretes do período anterior.
     Nas cancões de João Gilberto, “Samba de uma nota só” e “Desafinado,” encontramos manifestações estéticas da poesia concreta. Na primeira o autor começa cantando somente em uma nota musical até que em um determinado momento o cantor anuncia a substituição desta nota por outra e paralelamente o que é dito acontece na plano musical. Na segunda, acontece da mesma forma, quando, num momento exato, João Gilberto pronuncia a silaba tônica da palavra “desafinado” e ocorre no plano da música uma nota fora dos padrões harmônicos da convencional.
     De acordo com Naves (2000),
Outro procedimento que caracteriza as duas composições, colocando-as em correspondência com o tipo de sensibilidade da poesia concreta é a maneira cool de se lidar com a temática amorosa. Em “desafinado”, por exemplo, a pretexto de uma arenga sentimental, discute-se, na verdade, uma questão estética (p.36).




quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Os Anos Dourados

1950 a 1964

      Já em seu segundo governo, Getúlio Vargas (1951-1954), dá continuidade ao seu governo desenvolvimentista. Neste governo Vargas criou o Programa de Industrialização do país, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para financiar o programa. Procurou uma aproximação maior com os trabalhadores, inclusive concedendo aumentos salariais da ordem de 100%. Aumentou o salário mínimo em mais de 300% e consequentemente sua popularidade. Reequipou as ferrovias, construiu 600 quilômetros de rodovias por ano, aumentou em 60% a produção de energia e limitou a remessa de lucro para o exterior das empresas estrangeiras. Desenvolveu também uma política econômica nacionalista, marcada pela criação da PETROBRÁS em 1953.

          Ao final de seu segundo governo, o Brasil conclui um período de grande mudança implementada pelo Estado. O país atravessa do mundo Rural para o mundo Urbano. A urbanização cresceu de forma acelerada, facilitando a expansão desordenada das cidades. As repercussões da vida do país foi a emergência do populismo como recurso de poder e a incorporação de toda a população alfabetizada, maior de 18 anos, ao processo político, intensificando o processo de modernização política e econômica.

       Seu estilo populista o levou à queda em 1954, quando homens de sua guarda pessoal contrataram pistoleiros para eliminar o jornalista da oposição, Carlos Lacerda, e estes mataram por engano um major da Aeronáutica. Muito atacado pelos opositores, perdeu apoio das Forças Armadas, com isso suicidou-se com dois tiros no peito.

          Em 1956 a 1961, inicia o governo de Juscelino Kubitschek:





terça-feira, 26 de julho de 2011

A política dos EUA da boa vizinhança

¡Saludos amigos!




          A Política da Boa Vizinhança consistiu numa aproximação dos Estados Unidos com a América Latina. Ela foi praticada em diversas frentes, sendo fundamentais para isso o cinema e o rádio. Em meados de 1942, o Estados Unidos precisava de aliados. Para aproximar os brasileiros da realidade americana uma equipe de Walt Disney, em uma turnê pela América Latina, que fazia parte dos esforços dos Estados Unidos para reunir aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), veio ao Brasil e se hospedou no Rio de Janeiro.


          Dessa forma, analisando os estereótipos do Rio de Janeiro, foi criado o primeiro personagem brasileiro da Walt Disney, o papagaio José Carioca, o qual retrata o típico malandro carioca sempre escapando dos problemas com um “jeitinho” característico. Por outro lado, a cantora luso-brasileira Carmem Miranda conseguiu projetar o samba internacionalmente a partir do cinema.

          Os primeiros filmes longa-metragem da Disney foram sobre o Brasil: ¡Saludos amigos! (1942) e Los Tres Caballeros (1944).

 Los Tres Caballeros



A Rádio Nacional e o Samba-Exaltação

          A partir da década de 30, a popularização do rádio no Brasil ajudou a difundir o samba por todo o país.


       A Radio Nacional, inaugurada em 1636 por Getúlio Vargas, viria por meio de suas ondas curtas abranger todo o território nacional e tinha a função de unir todo o Brasil e mantê-lo unido, além de trazer para quase todos os lares as últimas notícias, moldando a opinião pública, vendendo produtos, lançando modas.

      O governo nacionalista escolheu o samba como sendo a musica nacional. Dessa forma surge nesse contexto o Samba-Exaltação, que exaltava as grandes belezas naturais brasileiras.
      O Samba-Exaltação foi caracterizado por composições de melodia extensa e versos patrióticos. A canção “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso, de 1939, foi o carro-chefe do Samba-Exaltação e é, até hoje, uma das canções que mais identifica o Brasil no exterior.


“Brasil!

Meu Brasil brasileiro
Meu mulato inzoneiro
Vou cantar-te nos meus versos
O Brasil, samba que dá
Bamboleio, que faz gingar
O Brasil, do meu amor
Terra de Nosso Senhor
Brasil! Pra mim! Pra mim, pra mim...”


segunda-feira, 16 de maio de 2011

Malandro


“Malandro: personagem do texto, sujeito/objeto de inúmeras letras do samba urbano, particularmente nesta Cidade do Rio de Janeiro. (MATOS, 1982).

Lenço no Pescoço - Wilson Batista

Meu chapéu do lado

Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio


Sei que eles falam
Deste meu proceder
Eu vejo quem trabalha
Andar no miserê
Eu sou vadio
Porque tive inclinação
Eu me lembro, era criança
Tirava samba-canção
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão


         Por que preferir ser um vadio em vez de trabalhador? Para entendermos o motivo pelo qual surgiu a malandragem precisamos lembrar-nos do momento da abolição da escravatura em 1888. Nesse período o trabalho era visto como uma atividade voltada para os escravos e mesmo depois da abolição essa visão continuou-se mantendo, pois não existiam leis trabalhistas para fazer do trabalho uma atividade recompensadora.

         Nos anos de 1920, pouco mais de trinta anos depois da abolição, andava “no miserê” aquele que trabalhava e ser um malandro com seu jeito esperto e escrevendo samba era melhor. Dessa maneira, o malandro foi tomando espaço nas letras de muitos sambas e essas músicas faziam, segundo Matos (1982), “uso de uma linguagem de caracteres específicos”, ou seja, apresentavam as características do modo de falar e também do próprio malandro.

         Mas a presença do malandro na musica popular, a qual teve nos anos 30, 40 e 50 bastante prestigio, foi perdendo espaço quando Getúlio Vargas, no momento do Estado Novo, instaurou a Consolidação das Leis Trabalhistas no Brasil, aumentando sua popularidade e o prestigio do trabalho. Vargas criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), o qual fiscalizou as gravações musicais brasileiras. O DIP serviu de censura contra as canções que demonstravam preferência pela malandragem e de incentivo, com uso de moeda, às gravações que glorificavam o trabalho como sendo uma atividade de honra. Um exemplo dessa censura está no famoso samba de Ataulfo Alves e Wilson Batista "O Bonde São Januário", de 1940. A letra diz "Quem trabalha é que tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário/ Leva mais um operário/ Sou eu que vou trabalhar (...)". O que aconteceu foi que o termo operário substitui a palavra original otário para driblar a censura.