O período militar começou com emissão dos atos institucionais, os quais decretavam novas leis que concediam poderes importantes aos presidentes. O Ato Institucional número 5 foi o quinto decreto emitido pelo governo militar brasileiro e é considerado o mais duro golpe na democracia, porque deu poderes quase absolutos ao regime militar. Determinações mais importantes do AI 5:
- Concedia poder ao Presidente da República para dar recesso a Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas (estaduais) e Câmara de vereadores (Municipais);
- Concedia poder ao Presidente da República para intervir nos estados e municípios, sem respeitar as limitações constitucionais;
- Concedia poder ao Presidente da República para suspender os direitos políticos, pelo período de 10 anos, de qualquer cidadão brasileiro;
- Concedia poder ao Presidente da República para dar recesso a Câmara dos Deputados, Assembléias Legislativas (estaduais) e Câmara de vereadores (Municipais);
- Concedia poder ao Presidente da República para intervir nos estados e municípios, sem respeitar as limitações constitucionais;
- Concedia poder ao Presidente da República para suspender os direitos políticos, pelo período de 10 anos, de qualquer cidadão brasileiro;
A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais, compostas por estudantes, organizações populares e trabalhadores, que ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média (aquela se formou no período dos Anos Dourados). Todos temiam uma guinada do Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria.
Este estilo populista e de esquerda, chegou a gerar até mesmo preocupação nos EUA, que junto com as classes conservadoras brasileiras, temiam um golpe comunista. No dia 13 de março, João Goulart realizou um grande comício no Rio de Janeiro, onde defendeu as Reformas de Base prometendo mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país.
No mesmo mês, de um lado, manifestações de apoio popular e comícios a favor das reformas levaram milhares às ruas para expressar apoio ao presidente. De outro lado, os conservadores organizaram uma manifestação contra as intenções de João Goulart, foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo o que evidenciou a articulação deste grupo aliado aos militares para afastar Jango do poder.
Os militares chamaram o golpe de revolução e o justificou afirmando que Goulart estava transformando o Brasil em um país comunista, principalmente porque ele prometia implantar um conjunto de mudanças que incluía a reforma agrária.
Depois de entregar um manifesto exigindo a renúncia de Goulart, as tropas militares ocuparam partidos políticos, sindicatos e quem mais apoiasse as reformas. A sede da UNE (União Nacional dos Estudantes) foi incendiada. Sem poder de reação, o presidente se refugiou em Porto Alegre, sua terra natal, onde ficou até o dia 2 de abril. Ele então se exilou no Uruguai.
Os presidentes do período Militar foram: Castello Branco (1964 – 1967); Costa e Silva (1967 – 1969); Emílio Médici (1969-1974); Ernesto Geisel (1974 – 1979); João Figueiredo (1979 – 1985).
Com todo o desenvolvimento do Brasil nesse período dos Anos Dourados, surge na sociedade brasileira uma nova classe social econômica, uma classe média alta com maior poder aquisitivo, morando em prédios de apartamentos em bairros como Ipanema e Copacabana e com filhos na universidade..
Esta nova classe social buscará criar um novo tipo de música, mais sofisticada que os boleros e samba-canções que dominaram o cenário até então. Esse novo gênero foi denominado de Bossa Nova com o objetivo de se diferenciar daquele samba mais tradicional, caracterizado por ser um gênero puramente nacional, o qual não tinha influências culturais estrangeiras.
O propósito desta nova raiz do samba, segundo Naves (2000), era de “defender uma postura internacionalista e moderna na música popular, em contraposição aos ideólogos do 'nacional-popular'”.
Os autores da Bossa “são unânimes em atribuir a João Gilberto uma postura que valoriza a contenção, contrária ao emocionalismo excessivo da música popular das décadas de 40 e 50” além de trazer para a MPB “manifestações estéticas dos anos 50, como a poesia concreta e a arquitetura de Oscar Niemeyer”.
A Bossa Nova se apropria de técnicas do cool Jazz americano e da música clássica, num gesto de devoração antropofágica, como propunha Oswald de Andrade, tendo como resultado um estilo que mescla o elemento estrangeiro com a tradição da música popular brasileira e produz uma música para exportação.
Outra característica peculiar da Bossa é a maneira de cantar baixinho, com clareza e calma, a razão disto é pelo fato de que a juventude bossa novista morava em apartamentos no Rio de Janeiro, onde não se podia cantar muito alto e, além do mais, cantar em um tom menor e mais coloquial se contrapunha ao estilo operístico e grandiloquente dos grandes intérpretes do período anterior.
Nas cancões de João Gilberto, “Samba de uma nota só” e “Desafinado,” encontramos manifestações estéticas da poesia concreta. Na primeira o autor começa cantando somente em uma nota musical até que em um determinado momento o cantor anuncia a substituição desta nota por outra e paralelamente o que é dito acontece na plano musical. Na segunda, acontece da mesma forma, quando, num momento exato, João Gilberto pronuncia a silaba tônica da palavra “desafinado” e ocorre no plano da música uma nota fora dos padrões harmônicos da convencional.
De acordo com Naves (2000),
Outro procedimento que caracteriza as duas composições, colocando-as em correspondência com o tipo de sensibilidade da poesia concreta é a maneira cool de se lidar com a temática amorosa. Em “desafinado”, por exemplo, a pretexto de uma arenga sentimental, discute-se, na verdade, uma questão estética (p.36).
Já em seu segundo governo, Getúlio Vargas (1951-1954), dá continuidade ao seu governo desenvolvimentista. Neste governo Vargas criou o Programa de Industrialização do país, o Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES) para financiar o programa. Procurou uma aproximação maior com os trabalhadores, inclusive concedendo aumentos salariais da ordem de 100%. Aumentou o salário mínimo em mais de 300% e consequentemente sua popularidade. Reequipou as ferrovias, construiu 600 quilômetros de rodovias por ano, aumentou em 60% a produção de energia e limitou a remessa de lucro para o exterior das empresas estrangeiras. Desenvolveu também uma política econômica nacionalista, marcada pela criação da PETROBRÁS em 1953.
Ao final de seu segundo governo, o Brasil conclui um período de grande mudança implementada pelo Estado. O país atravessa do mundo Rural para o mundo Urbano. A urbanização cresceu de forma acelerada, facilitando a expansão desordenada das cidades. As repercussões da vida do país foi a emergência do populismo como recurso de poder e a incorporação de toda a população alfabetizada, maior de 18 anos, ao processo político, intensificando o processo de modernização política e econômica.
Seu estilo populista o levou à queda em 1954, quando homens de sua guarda pessoal contrataram pistoleiros para eliminar o jornalista da oposição, Carlos Lacerda, e estes mataram por engano um major da Aeronáutica. Muito atacado pelos opositores, perdeu apoio das Forças Armadas, com isso suicidou-se com dois tiros no peito.
Em 1956 a 1961, inicia o governo de Juscelino Kubitschek:
A Política da Boa Vizinhança consistiu numa aproximação dos Estados Unidos com a América Latina. Ela foi praticada em diversas frentes, sendo fundamentais para isso o cinema e o rádio. Em meados de 1942, o Estados Unidos precisava de aliados. Para aproximar os brasileiros da realidade americana uma equipe de Walt Disney, em uma turnê pela América Latina, que fazia parte dos esforços dos Estados Unidos para reunir aliados durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), veio ao Brasil e se hospedou no Rio de Janeiro.
Dessa forma, analisando os estereótipos do Rio de Janeiro, foi criado o primeiro personagem brasileiro da Walt Disney, o papagaio José Carioca, o qual retrata o típico malandro carioca sempre escapando dos problemas com um “jeitinho” característico. Por outro lado, a cantora luso-brasileira Carmem Miranda conseguiu projetar o samba internacionalmente a partir do cinema.
Os primeiros filmes longa-metragem da Disney foram sobre o Brasil: ¡Saludos amigos! (1942) e Los Tres Caballeros (1944).
A partir da década de 30, a popularização do rádio no Brasil ajudou a difundir o samba por todo o país.
A Radio Nacional, inaugurada em 1636 por Getúlio Vargas, viria por meio de suas ondas curtas abranger todo o território nacional e tinha a função de unir todo o Brasil e mantê-lo unido, além de trazer para quase todos os lares as últimas notícias, moldando a opinião pública, vendendo produtos, lançando modas.
O governo nacionalista escolheu o samba como sendo a musica nacional. Dessa forma surge nesse contexto o Samba-Exaltação, que exaltava as grandes belezas naturais brasileiras.
O Samba-Exaltação foi caracterizado por composições de melodia extensa e versos patrióticos. A canção “Aquarela do Brasil” de Ary Barroso, de 1939, foi o carro-chefe do Samba-Exaltação e é, até hoje, uma das canções que mais identifica o Brasil no exterior.
“Malandro: personagem do texto, sujeito/objeto de inúmeras letras do samba urbano, particularmente nesta Cidade do Rio de Janeiro. (MATOS, 1982).
Lenço no Pescoço - Wilson Batista
Meu chapéu do lado Tamanco arrastando Lenço no pescoço Navalha no bolso
Eu passo gingando Provoco e desafio Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio
Sei que eles falam Deste meu proceder Eu vejo quem trabalha Andar no miserê Eu sou vadio Porque tive inclinação Eu me lembro, era criança Tirava samba-canção Comigo não Eu quero ver quem tem razão
Por que preferir ser um vadio em vez de trabalhador? Para entendermos o motivo pelo qual surgiu a malandragem precisamos lembrar-nos do momento da abolição da escravatura em 1888. Nesse período o trabalho era visto como uma atividade voltada para os escravos e mesmo depois da abolição essa visão continuou-se mantendo, pois não existiam leis trabalhistas para fazer do trabalho uma atividade recompensadora.
Nos anos de 1920, pouco mais de trinta anos depois da abolição, andava “no miserê” aquele que trabalhava e ser um malandro com seu jeito esperto e escrevendo samba era melhor. Dessa maneira, o malandro foi tomando espaço nas letras de muitos sambas e essas músicas faziam, segundo Matos (1982), “uso de uma linguagem de caracteres específicos”, ou seja, apresentavam as características do modo de falar e também do próprio malandro.
Mas a presença do malandro na musica popular, a qual teve nos anos 30, 40 e 50 bastante prestigio, foi perdendo espaço quando Getúlio Vargas, no momento do Estado Novo, instaurou a Consolidação das Leis Trabalhistas no Brasil, aumentando sua popularidade e o prestigio do trabalho. Vargas criou o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), o qual fiscalizou as gravações musicais brasileiras. O DIP serviu de censura contra as canções que demonstravam preferência pela malandragem e de incentivo, com uso de moeda, às gravações que glorificavam o trabalho como sendo uma atividade de honra. Um exemplo dessa censura está no famoso samba de Ataulfo Alves e Wilson Batista "O Bonde São Januário", de 1940. A letra diz "Quem trabalha é que tem razão/ Eu digo e não tenho medo de errar/ O bonde São Januário/ Leva mais um operário/ Sou eu que vou trabalhar (...)". O que aconteceu foi que o termo operário substitui a palavra original otário para driblar a censura.